terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Bruxas famosas: Paula de Eguiluz

Olá! 💫

Como eu, vocês já devem estar assistindo à nova série da Netflix, Sempre Bruxa. Mas o que muitos não sabem, é que a personagem principal, Carmen de Eguiluz foi inspirada numa bruxa real, que viveu em Cartagena no século XVII. A seguir, deixo para vocês um texto que escrevi a respeito da triste história desta mulher:

Hoje vou estrear uma seção aqui no blog em que falarei a respeito de bruxas famosas da história: acusadas de bruxaria pelo Santo Ofício, feiticeiras da atualidade, praticantes de magia, enfim. Espero que gostem. 🌙


Para começar, falarei de um nome pouco conhecido, que ouvi num documentário sobre a Inquisição dia desses. Falo da Paula de Eguiluz, escrava de origem afro-caribenha, nascida na cidade de Santo Domingo. Condenada por bruxaria 3 vezes pela Santa Inquisição, dizia-se que era líder de um grupo de bruxas. Contra ela, os ministros da corte iniciaram longo processo, sendo este um dos mais documentados da história. 

Foi acusada, em 1624 por bruxaria, incesto e pacto com o diabo, julgada pelo Tribunal do Santo Ofício da cidade de Cartagena. Em seus primeiros julgamentos, desconhecia as condutais legais de como proceder nos tribunais da época, em que eram necessários apelos à crença cristã e manifestações de fé caso o indivíduo quisesse diminuir sua sentença. Aprendendo rápido, Paula de Eguiluz, recitou corretamente o Pai Nosso, o Credo, a Salve Rainha e os Dez Mandamentos, antes da segunda audiência. Após a terceira audiência, Paula terminou seu depoimento pedindo a Deus para perdoá-la por seus "terríveis pecados e erros e pede... uma punição misericordiosa". Os apelos ao cristianismo e as declarações de fé fizeram com que Paula pudesse retornar a sua antiga vida como escrava, sendo condenada a, entre outras coisas, 200 chicotadas e trabalhar no hospital da cidade por um ano.

Oito anos mais tarde, em 1632, foi novamente condenada, aos 41 anos. Nessa época, vendia seus conhecimentos de magia amorosa caribenha a mulheres brancas e mulatas livres. Ana Fuentes, uma das clientes de Paula, acusou-a de fraude ao Santo Ofício, pois mesmo após usar seus artifícios, o marido continuou a enganá-la. Paula de Eguiluz recebe, mais uma vez, 200 chicotadas. Seu terceiro e último julgamento terminou com um ato solene diante de uma catedral, em 1639, onde sua acusação não podia ser lida íntegra, pois não podia ser ouvida dado o grande murmúrio do povo. Foi, por fim, condenada ao confisco de bens, 200 chibatadas e à prisão perpétua.

A história não acaba por aí. O conhecimento mágico de Paula de Eguiluz perpetuou-se, sendo transmitido às mulheres caribenhas até os dias de hoje. Neste link vocês encontram um vídeo em espanhol que retrata a história desta bruxa famosa.